DJ residente da ¡Súbete!, mulher afrolatina e referência na cena do reggaeton.

Identidade Racial, Trajetória na música e styling próprio. Isso e muito mais do que rolou na entrevista com Thaís Queiroz durante a última edição da ¡Súbete!


Thaís Queiroz: som, identidade e presença


Thaís Queiroz, 32 anos, reside em São Paulo. Formada em Biomedicina, atuou por aproximadamente dez anos na área, conciliando desde os 15 anos o trabalho formal com atividades ligadas à música. Em determinado momento da vida, a transição se tornou inevitável. Há dois anos, Thaís decidiu seguir profi ssionalmente como DJ, dando início a uma nova fase de sua trajetória.
Desde então, alguns trabalhos marcaram de forma especial esse caminho. Thaís já dividiu o line-up com nomes importantes da cena, como a DJ Rosa Pistola, tocou pela segunda vez no Perro Negro, na Colômbia, e dividiu o palco duas vezes com DJ Popi, DJ do J Balvin. Experiências que consolidam sua presença e relevância dentro do reggaeton.

@thaisqueiiroz

     

 

Identidade racial e pertencimento


Thaís se reconhece como uma mulher afrolatina. Vinda de uma família majoritariamente branca, ela é a única mulher negra, e o encontro com suas raízes aconteceu por volta dos 21 anos. Foi nesse período que começou a entender que poderia, sim, usar o cabelo afro, se conectar com músicas latinas e ocupar espaços sendo quem realmente é.


Reconhecer que passou grande parte da vida alisando o cabelo e negando sua identidade foi um processo transformador. Hoje, após esse reencontro, Thaís faz questão de valorizar e expressar suas raízes em voz alta. Sua trajetória reforça uma mensagem potente: é possível se aceitar, se reconhecer e honrar nossas raízes latinas e africanas.


Para ela, onde uma mulher entra, ela se torna referência. Em uma cena historicamente ocupada por homens, Thaís entende sua atuação no reggaeton como um compromisso coletivo.
“Ao mesmo tempo que estou realizando meu sonho, sinto que puxo outras mulheres para realizar o sonho delas também”.

 

Styling, moda e maximalismo latino


Na cena do reggaeton, a moda sempre foi uma extensão da paixão pela música e pelos ídolos.

Camisetas estampadas, bonés, bandeiras e símbolos visuais fazem parte dessa cultura de pertencimento. Thaís leva essa expressão para além das roupas, ela carrega no corpo uma tatuagem que simboliza sua conexão com o ritmo “94 BPM”, a batida da música
Noche de Sexo, faixa que despertou seu amor pelo reggaeton.
Esse gesto revela algo maior: quem vive o reggaeton, no Brasil e no mundo, quer ser visto, reconhecido e ouvido.


Para Thaís, o maximalismo é parte da cultura brasileira. Somos coloridos, expressivos e intensos. Reconhecer essa origem evita que caiamos em estéticas que nos apagam. Entender de onde viemos é essencial para manter nossa originalidade, afi rmar o colorismo, o excesso e a presença em espaços que historicamente nos oprimiram.


Dentro do maximalismo latino, seu estilo pessoal é extensão direta de sua identidade. Mulher preta, Thaís faz questão de expressar grandiosidade e presença por meio das roupas e dos acessórios. Explora a versatilidade do cabelo cacheado, ora com o black em evidência, ora com turbantes, ora com tranças. Abusa das cores, dos acessórios e das composições visuais.

 

Uma presença que marca


A primeira vez que vi Thaís foi em um line-up de outra festa de reggaeton. Minha reação imediata foi comentar com as amigas:
“olhem essa mulher de top de oncinha”. E, de fato, ela só tocou pedrada. “Essa mulher de top de oncinha chegou pra abalar tudo!”
Desde aquele dia, me tornei fã assumida da Thaís, principalmente porque, naquele line, ela era a única mulher. Sua presença nunca foi discreta ou passageira. Ela ocupa o espaço com força, talento e identidade.
Thaís Queiroz não chega de qualquer jeito. Ela ocupa, e seguirá ocupando, todos os lugares que quiser.

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