Gabriela Martires: da Amazônia para o mundo

Comecei minha jornada no mundo da moda muito jovem, ainda em Belém do Pará, participando de trabalhos regionais e até concursos internacionais de beleza. Aos 19 anos tomei uma das decisões mais difíceis e transformadoras da minha vida: deixei minha cidade, minha família e tudo que eu conhecia para tentar a vida em São Paulo.

Foi nessa fase que a EGM – Elian Gallardo Model entrou na minha história. Através do Eli, recebi não só meu primeiro direcionamento profissional real, como também a oportunidade da minha primeira temporada internacional. Algo que sempre pareceu distante para alguém como eu — uma menina amazônida, com estatura abaixo dos padrões convencionais e sem nenhum privilégio no caminho — finalmente começou a ganhar forma.

No início, minha altura sempre foi pauta. Mas com estratégia, posicionamento, direcionamento da EGM e muita determinação, tudo isso caiu por terra. Aprendi que quando existe verdade, trabalho e entrega, o mercado aprende a te enxergar de outra forma.

Na Índia, país onde vivo minha primeira temporada, tive a honra de trabalhar para marcas renomadas como Aangan by Parul, Shein, Laces and Beads London, Fragrance Store USA, Raagwaas, Vmart, entre muitas outras.


E logo no início, fui escalada para um desfile do lendário Manish Malhotra, dividindo passarela com ninguém menos que Alessandra Ambrósio. Vê-la de perto — e caminhar ao seu lado — foi realizar um sonho de infância.

Mas nem tudo é glamour. O maior desafio de um new face internacional é a distância. Deixar para trás minha família, minhas raízes amazônicas e todo o conforto de casa nunca foi simples. São escolhas e renúncias que poucos entendem. E mais uma vez, São Paulo — o lugar que me recebeu, me deu novas conexões e uma nova família — ficou para trás quando o trabalho me chamou.

Ser modelo é entender que antes de pisar no palco iluminado, você enfrenta muita lama. Muitos querem saber “quanto você conta”, mas poucos querem saber “quanto você corre”. E correr ao lado da EGM foi determinante. Trabalhar com pessoas que têm anos de experiência, leitura de mercado e estratégia é imprescindível para sobreviver — e crescer — nesta indústria.

Vir para a Índia como primeiro país tem me mostrado, dia após dia, que fiz a escolha certa. O mercado internacional é extremamente competitivo, e o que dizem sobre a Índia ser uma grande escola é absolutamente verdadeiro. São altos e baixos, introspecção, disciplina e muito trabalho.
Nada cresce sem transformação. E sinto que essa experiência tem me moldado profundamente — como profissional, me tornou mais estratégica, preparada e inteligente; como mulher, mais empática, madura e altruísta.

Sair da zona de conforto assusta. Mas para viver um sonho diferente, você precisa mudar a vida que está vivendo agora. Precisa olhar para o desafio e enfrentá-lo. É isso que tenho feito. Com fé em Deus, confiança no meu trabalho e gratidão por quem me guia.

E talvez a maior recompensa de todas seja esta: eu nunca precisei levantar a voz, agir de má-fé ou passar por cima de ninguém para provar meu valor.
Apenas trabalhei. Apenas fiz por merecer.
E ver hoje tudo o que conquistei é a resposta silenciosa a quem um dia duvidou da minha altura, da minha origem ou das minhas possibilidades.

Autoconfiança, determinação e fé brilham mais que qualquer marca estampada no corpo.
A verdadeira luz vem de dentro — e essa luz é incontestável.

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