Karol G: quando a moda global encontra a força do maximalismo latino

A trilha sonora das Angels, inédita, pulsou com uma mistura latina e caliente que tomou o palco.


Pela primeira vez o Victoria’s Secret World Tour testemunhou uma mulher latina ocupar o
centro do palco. No dia 15 de Outubro a Karol G colocou todo Maximalismo latino que corre em
suas veias na apresentação. Sua performance contou com a interpretação de Ivonne Bonita e
Latina foreva, duas faixas do novo álbum Tropicoqueta. Vestindo asas escarlate, ela chegou com
cor, presença, curvas, referências colombianas, caribenhas e afrolatinas.
Naquele momento, ela reafirmou para o mundo que a cultura latina importa. Que ela é forte,
sofisticada, e tem o poder de ser protagonista em qualquer cenário global. O desfile não apenas
acolheu essa força, ele finalmente a reconheceu.

O que significa ter uma latina no Victoria’s Secret Show


Historicamente, os grandes palcos da moda global reproduziram corpos, estilos e narrativas
idealizadas segundo padrões eurocêntricos. A presença de Karol G, uma mulher latina que faz
questão de carregar sua identidade em todo projeto, rompe essa lógica e abre espaço para um
novo imaginário de beleza e pertencimento.
É também uma vitória cultural. Significa que nossa estética, antes vista como “exagerada”,
“colorida demais”, começa a ser celebrada como potência.
Karol G leva ao palco uma estética de abundância que dialoga diretamente com o maximalismo
latino: cabelos volumosos, brilho, cores tropicais, maquiagem intensa, figurinos que misturam
sensualidade e força. Sua presença afirma: “O nosso exagero é arte. A nossa estética é legítima.”


Nova era do Victoria Victoria’s Secret Show


A participação de Karol G não apenas evidencia a ascensão da cultura latina no cenário global,
como sinaliza a abertura de uma nova fase para uma das maiores marcas de lingerie do mundo.
Por décadas, os desfiles da Victoria’s Secret foram marcados por corpos padronizados e uma
visão estreita do que era considerado beleza.
Com Karol no palco e com modelos que fogem dos padrões tradicionais, torna-se evidente a
estratégia de diversidade que a marca passou a abraçar. É uma tentativa de reconexão com o
público contemporâneo, que exige narrativas mais inclusivas, plurais e reais.
Essa mudança não representa apenas um avanço da marca, mas do próprio imaginário da
moda. Quando uma mulher latina se torna protagonista de um dos palcos mais tradicionais do
fashion world, ela abre caminho para muitas outras. E o que antes parecia distante, agora se
torna possível, e sobretudo, inevitável.


Tropicoqueta, o álbum como manifesto visual

O último álbum de Karol G, Tropicoqueta, surge como extensão dessa trajetória. Ele é tropical,
feminino, colorido, e profundamente latino. Suas capas, paletas, figurinos e videoclipes vibram
em saturação, misturam elementos da moda latina contemporânea com referências culturais da
Colômbia e do Caribe.
Ele celebra a diversidade de corpos e mulheres, centraliza a potência feminina latina, usa a
estética do excesso como linguagem de afirmação, traz cores que remetem ao trópico (rosas
fortes, amarelos, verdes, azuis) que reescrevem o significado de feminilidade na música pop
latina. Karol G transforma maximalismo em discurso.


A força do maximalismo feminino afro-latino
Na semana passada eu elogiei o look de uma mulher que estudou comigo. Ela logo me
respondeu falando que se sentiu destoada do restante das pessoas que haviam saído com ela
porque todas estavam de shorts e camiseta simples enquanto ela estava MAXIMALIZADA, e por
isso ficou feliz quando viu minha mensagem.
Eu quero transmitir aqui o mesmo que disse para ela quando conversamos: abracem o
Maximalismo latino que há em vocês. Nós mulheres brasileiras SOMOS LATINAS, e isso nos
atravessa de muitas formas. Somos intensidade, somos cor, somos ritmo, somos presença. O
exagero que habita em nós não é defeito: é arte, cultura e resistência.
Não se deixem diminuir pelo minimalismo do entorno. Reconhecer e honrar nossas raízes nem
sempre é simples. As vezes, exige coragem para ocupar espaço de forma plena, brilhante e
verdadeira.
E a todas as mulheres latinas que estão lendo isto: sigamos de mãos dadas, vamos nos
reconhecer e lembrar umas às outras que nossa arte, nossa estética e nossa identidade
merecem ser mostradas ao mundo com orgulho. Que nunca falte coragem para ocuparmos
espaço.


Como arte sempre nos puxa para novos caminhos, na próxima matéria, vamos aprofundar as
tendências da moda que emergem das narrativas latinas e periféricas.

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