Do som ao styling: como a ¡Súbete! transforma a pista em linguagem de moda
Se Tropicoqueta traduz a latinidade como obra de arte, narrativa visual e manifesto estético, ela também nos convida a olhar para além dos grandes palcos e passarelas. A força dessa estética não nasce apenas nos holofotes da indústria cultural, mas pulsa, diariamente, em espaços onde a identidade latina é vivida de forma coletiva.
É nesse ponto que a arte encontra a rua, a pista e o corpo. A mesma exuberância, sensualidade e orgulho que Karol G imprime em seu álbum se desdobra em festas, encontros e movimentos culturais que resistem ao apagamento e celebram a memória. A latinidade deixa de ser performance e se torna experiência compartilhada.
No Brasil, um desses espaços de afi rmação é a
¡Súbete!

¡Súbete!
A ¡Súbete! nasceu em 2019, idealizada por Rafael Takano, como uma festa de reggaeton que, desde o início, carregava algo maior do que música: carregava identidade. O que começou de forma intimista hoje promove encontros com entradas esgotadas, reunindo mais de mil pessoas ao longo de sua trajetória.
Mais do que uma festa, a ¡Súbete! se tornou um ponto de encontro para brasileiros e para pessoas de diversos países da América do Sul e Central. Gente que, mesmo distante de seu país de origem, se recusa a se desconectar da própria cultura. Ali, a música latina não é apenas trilha sonora, ela é celebração coletiva. Cantamos em voz alta, vibramos juntos e transformamos a pista em território de pertencimento.
Foi frequentando a ¡Súbete! e outras festas de reggaeton que passei a me sentir parte de uma comunidade. Antes, eu não me reconhecia como uma mulher afrolatina. Foi a partir dessa vivência coletiva, do contato com outras histórias semelhantes à minha, que compreendi e assumi, com orgulho, minhas raízes. A festa tem essa potência: faz com que as pessoas se reconheçam em um espaço. A ¡Súbete! constrói um lugar onde a cultura latina e periférica não precisa ser traduzida ou suavizada, ela existe em sua forma mais intensa.

A influência da Súbete no estilo periférico e latino no Brasil.
A infl uência da ¡Súbete! vai muito além da música. Ela se expressa no corpo que dança, nas roupas escolhidas, nas combinações ousadas e no styling que rejeita a neutralidade. Na pista, o vestir é extensão da identidade: cores vibrantes, recortes, brilho, pele à mostra, referências caribenhas, urbanas e periféricas convivem em um mesmo espaço, sem hierarquias.
O maximalismo latino se materializa ali como prática cotidiana. Não há medo do excesso, do exagero ou da mistura. Pelo contrário: quanto mais referências, mais identidade. A estética que emerge da ¡Súbete! é construída por corpos diversos que se recusam a se adequar a padrões eurocêntricos de beleza.
Saltos, tênis, saias curtas, cargos, argolas, maquiagem marcada, cabelos naturais ou elaborados: tudo coexistindo como expressão de liberdade e pertencimento.
A ¡Súbete! se torna, assim, uma passarela informal onde a moda nasce da vivência, da memória e da coletividade. É nesse território que o maximalismo latino deixa de ser tendência e se afi rma como linguagem cultural.

Tháis Queiroz protagoniza a cena do Reggaeton na Súbete.
Nesse cenário de afi rmação cultural e movimento social, Thaís Queiroz, DJ residente da ¡Súbete!, mulher afrolatina e referência na cena do reggaeton, se destaca como presença potente e indispensável. Sua atuação é a prova concreta de que mulheres pretas podem ocupar todos os espaços.
Na próxima matéria, vamos aprofundar sua trajetória a partir de trechos da entrevista concedida durante a última edição da ¡Súbete!


