O “não” no casting: dor real ou falta de preparo?

Mônica Pontes – Psicóloga Cínica | Modelo | Embaixadora EMG Model

Vou te fazer uma pergunta que pouca gente tem coragem de fazer a si mesma: você tem se preparado de verdade para os castings — ou só aparecido?
Eu sei, a pergunta incomoda.
Mas é dela que quero partir hoje. Na minha prática como psicóloga clínica e na minha trajetória como modelo, eu vejo um padrão se repetir: o “não” chega, a frustração vem, e a modelo se pergunta “o que há de errado comigo?”.
Mas talvez a pergunta certa seja outra: “O que eu fiz, além de aparecer, para ser escolhida?”
O que a Terapia do Esquema me ensinou sobre isso
Quando um “não” ativa uma reação desproporcional em você — choro intenso, sensação de fracasso total, vergonha profunda — pode ser que não seja só o casting. Pode ser um Esquema Inicial Desadaptativo sendo disparado.
Três esquemas que aparecem muito aqui no consultório:
• Esquema de Fracasso: a crença de que você vai falhar, de que não é boa o suficiente. O “não” vira “prova” de que essa crença é verdade.
• Esquema de Defectividade: a sensação de que há algo fundamentalmente errado com você. O não vira confirmação de que você é defeituosa, inadequada.
• Esquema de Padrões Inflexíveis: a pressão interna por perfeição. Você se cobra tanto que qualquer não vira evidência de que não se esforçou o bastante.
A questão é: esses esquemas distorcem a leitura da realidade. Eles transformam um não técnico — “seu perfil não era o que buscávamos” — numa ferida na identidade.
O que a TCC escancara
A Terapia Cognitivo-Comportamental me ajuda a enxergar as distorções que a gente cria no caminho:
• Leitura mental: “Eles acharam que eu não tenho potencial.”
• Personalização: “Não fui escolhida porque meu corpo não agradou.”
• Catastrofização: “Nunca mais vou ser chamada para nada.”
• Pensamento tudo-ou-nada: “Ou sou a escolhida, ou sou um fracasso.”
Percebe como esses pensamentos são automáticos e, na maioria das vezes, não correspondem aos fatos?
A pergunta que você precisa se fazer
Eu não estou dizendo que o “não” não dói.  Dói.  E na clínica eu acolho essa dor sem atalhos.
Mas depois de acolher, vem a parte que pode fazer diferença na sua próxima oportunidade:
• Você estudou o briefing do cliente antes do casting?
• Treinou sua expressão, seu olhar, sua postura?
• Cuidou da sua preparação emocional antes de entrar na sala?
• Buscou feedback sincero com profissionais que confia?
Preparo não garante o sim, mas aumenta suas chances — e diminui o peso do não.
O que a Terapia do Esquema e a TCC me mostram, todos os dias, é que a dor da rejeição pode ser tratada. Ela não precisa ditar quem você é nem quanto você vale. Mas também não pode virar desculpa para não se preparar.
O “não” diz algo sobre o projeto.
O que você faz com ele — aí sim — diz tudo sobre você. Se esse texto ressoou com você, quero te convidar a continuar essa conversa de um lugar mais próximo.
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