A Passarela da Mente: Como a Psicologia me Ensinou a Sobreviver à Moda

Como modelo e psicóloga clínica, transito diariamente entre dois mundos que parecem opostos: as passarelas, focadas na imagem externa, e o consultório, voltado para a nossa mente profunda.

Essa vivência me mostrou que a passarela mais difícil de desfilar é a da nossa própria mente. No dia a dia da moda, a rejeição é constante e a pressão estética é implacável, ativando o que a Terapia do Esquema (Jeffrey Young) chama de Esquemas Iniciais Desadaptativos (EIDs).

Padrões Inflexíveis e Busca de Aprovação nos fazem crer que nosso valor depende de medidas físicas. Passamos a nos enxergar sob a ótica da inadequação, ativando o esquema de Defectibilidade. Essas crenças profundas geram uma autocrítica severa, como se nunca fôssemos boas o suficiente.

A moda ativa esses gatilhos de forma muito intensa, gerando ansiedade crônica e insatisfação. É aí que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) de Aaron Beck entra como nossa maior aliada. Como bem apontou Beck, “se nosso pensamento for focado e realista, lidamos melhor com as adversidades”.

A TCC nos ensina a identificar distorções cognitivas como a Personalização nos castings. Personalizar é achar que o “não” de um cliente é um julgamento pessoal sobre sua beleza e valor, quando, na verdade, trata-se apenas de uma decisão técnica, comercial e de perfil de marca.

Outra distorção comum é a Supergeneralização, achar que um teste perdido define o fracasso da carreira. Esses pensamentos automáticos sabotam nossa autoconfiança antes mesmo de entrarmos na passarela.

Estudos científicos recentes dão suporte a essa integração de abordagens para a saúde mental. Uma pesquisa publicada no Journal of Assessment and Research in Applied Counseling (JARAC, 2024) comprovou que intervenções focadas em esquemas e modos são altamente eficazes para “melhorar a regulação emocional e reduzir a preocupação com a imagem corporal” em mulheres.

Para sobreviver a essa pressão, precisamos aprender a fortalecer o nosso Modo Adulto Saudável. Isso significa acolher nossas vulnerabilidades, mas responder a elas com lógica e autocompaixão.

Também envolve estabelecer limites claros com agências e redes sociais, evitando a comparação constante. O autocuidado emocional deve ser tão rotineiro quanto cuidar da pele ou do cabelo. Seu corpo é apenas uma ferramenta de trabalho temporária, nunca a totalidade da sua identidade. Você é um ser humano completo, com sentimentos e intelecto que nenhuma câmera pode capturar.

Quando você separa quem você é do trabalho que você faz, a rejeição perde o poder de te ferir. Desenvolver essa imunidade cognitiva é o que garante uma carreira longa, saudável e sustentável. Afinal, o verdadeiro sucesso na moda é aquele que não cobra a sua saúde mental como preço de entrada.

Se você quer aprender a blindar sua mente e proteger sua autoestima nesse mercado desafiador, me acompanhe diariamente no Instagram @pontess.monica, onde compartilharei pílulas de psicologia prática.

Vamos juntos aprender a brilhar de dentro para fora, cuidando do que realmente importa: sua paz.

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